Um blog muito musical com receitas, dicas, curiosidades e outras amenidades.
sábado, 16 de março de 2013
A história da música: Super Homem (A Canção)
Por Gilberto Gil
"Eu estava de passagem pelo Rio, indo para os Estados Unidos fazer a excursão do lançamento do Nightingale - um disco gravado lá, com produção do Sérgio Mendes, em março e abril de 79, e gravar o disco Realce, ao final da excursão.
Na ocasião eu estava morando na Bahia e não tinha casa no Rio, por isso estava hospedado na casa do Caetano. Como eu tinha que viajar logo cedo, na véspera da viagem eu me recolhi num quarto por volta de uma hora da manhã.
De repente eu ouvi uma zuada: era Caetano chegando da rua, falando muito, entusiasmado. Tinha assistido o filme Superhomem. Falava na sala com as pessoas, entre elas a Dedé [Dedé Veloso, mulher de Caetano na época]; eu fiquei curioso e me juntei ao grupo. Caetano estava empolgado com aquele momento lindo do filme, em que a namorada do Super-homem morre no acidente de trem e ele volta o movimento de rotação da Terra para poder voltar o tempo para salvar a namorada.
Com aquela capacidade extraordinária do Caetano de narrar um filme com todos os detalhes, você vê melhor o filme ouvindo a narrativa dele do que vendo o filme... Então eu vi o filme. Conversa vai, conversa vem, fomos dormir.
Mas eu não dormi. Estava impregnado da imagem do Superhomem fazendo a Terra voltar por causa da mulher. Com essa idéia fixa na cabeça, levantei, acendi a luz, peguei o violão, o caderno, e comecei. Uma hora depois a canção estava lá, completa.
No dia seguinte mostrei ao Caetano; ele ficou contente: 'Que linda!' E eu viajei para os Estados Unidos. Fiz a excursão toda e, só quando cheguei a Los Angeles, um mês e tanto depois, para gravar o disco, foi que eu vi o filme.
Durante a gravação, uma amiga americana, Olenka Wallac, que morava em Los Angeles na ocasião, me levou para ver. A canção foi feita portanto com base na narrativa do Caetano. Como era Superhomem - O Filme, ficou Superhomem - a Canção; não tinha certeza se ia manter esse título ao publicá-la, mas mantive.
Como Retiros Espirituais, Superhomem - a Canção é uma das poucas que eu fiz assim: música e letra ao mesmo tempo. É uma canção a serviço de uma letra, atrás de um sopro da poesia, mas com os versos também se submetendo a uma necessidade de respiração da canção. Há momentos em que a extensão do verso determina o estender-se da frase musical. Em outros, para se dar determinadas pausas e realizar o conceito de simetria e elegância, a extensão da frase poética se adequa à do fraseado melódico."Assim, depois de 'Um dia', há o corte e, lá adiante, 'Que nada', depois 'Quem dera' e depois 'Quem sabe' já surgem condicionados pelo 'Um dia' do início. A frase musical de 'Um dia' condicionou a extensão, o corte e a escolha dessas interjeições - 'Que nada', 'Quem dera' e 'Quem sabe'. (Mesmo no primeiro caso - 'Um dia' -, também se reinvindica ali um sentido de interjeição; embora na construção da frase, do ponto de vista gramatical, possa não ser considerado assim, do ponto de vista do canto, é.)
A música tem uma cadência descansada, escorrida, e umas quebras interessantes. A melodia muda, a métrica é regular (as notas se alteram, mas os tempos são iguais). Você tem quatro estrofes com versos de 2, 14, 12 e 6 sílabas cada - assimétricas na distribuição interna, mas simétricas nas configurações finais. [A estrofe de abertura é ligeiramente diferente: o terceiro verso também apresenta 14 sílabas poéticas].
Depois de fazer a primeira estrofe, eu decidi que aquilo seria um módulo que eu iria manter. Isso facilitou para que eu a fizesse rápido; nascida aquela célula, ela se reproduziu em mais três iguais. Dobrei o caderno, deixei o violão e fui dormir.
Quando acordei pela manhã, a primeira coisa que fiz foi tocar, cantar e ver que a canção estava fixada. Se eu estivesse com um gravador, eu a teria gravado antes de dormir, para me assegurar (eu faço isso sempre hoje em dia, porque tenho cada vez menos memória).
Como eu não estava, é provável que eu tenha usado algum recurso mnemônico, como fixar o número de notas ou sílabas das primeiras frases, ou então as cifras.
Muita gente confundia essa música como apologia ao homossexualismo, e ela é o contrário. O que ela tem, de certa forma, é sem dúvida uma insinuação de androginia, um tema que me interessava muito na ocasião - me interessava revelar esse embricamento entre homem e mulher, o feminino como complementação do masculino e vice-versa, masculino e feminino como duas qualidades essenciais ao ser humano. Eu tinha feito Pai e Mãe antes, já abordara a questão, mais explicitamente da posição de ver o filho como o resultado do pai e da mãe. Em Superhomem - a Canção, a idéia central é de que pai é mãe, ou seja, todo homem é mulher (e toda mulher é homem).
sexta-feira, 15 de março de 2013
terça-feira, 13 de novembro de 2012
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Quanto tempo demora dois anos pra passar?
O Coelho, guitarrista do Biquini Cavadão, tinha uma namorada
que ia viajar e só voltaria um mês depois. Esse foi o mote para a música
“Quanto tempo demora um mês pra passar”. Ele relacionou tudo que dura um mês:
“A vida inteira de um inseto,
Um embrião pra virar feto,
A folha do calendário,
O trabalho pra ganhar o salário,
Um embrião pra virar feto,
A folha do calendário,
O trabalho pra ganhar o salário,
Ser campeão da copa do mundo,
Um dia em Saturno,
Pra criança que não sabe contar vai levar um tempão.”
Um dia em Saturno,
Pra criança que não sabe contar vai levar um tempão.”
E a parte que eu gosto mais:
“Mas daqui a um mês
Quando você voltar
A lua vai tá cheia
E no mesmo lugar...”
Quando você voltar
A lua vai tá cheia
E no mesmo lugar...”
Já nesses dois anos minha vida mudou
muito! Minha filha cresceu muito, eu ganhei e perdi alguns quilos, mudei muito!
Hoje eu tenho o LP “Songs in the key of
life” do Stevie Wonder, (Um dos primeiros posts do blog), a cozinha já não é
mais aquela, mas o que mudou mesmo: EU!
Passei a ver a vida com outros olhos,
não levo mais tudo a ferro e fogo, mas
mesmo depois de tanto tempo lembrar da época que esse blog começou ainda me dá
um grande frio na barriga.
Eu não imaginava como estaria dois anos
depois e posso dizer em uma única palavra: FELIZ!
Feliz por porder contar com os meus pais,
Feliz por ver minha filha bem,
Feliz por ver minha filha bem,
Feliz por me ver bem,
Feliz por fazer planos para o futuro,
Feliz por viver (pode parecer clichê,
mas acredite, é importante!),
Feliz por estar cercado de pessoas que
querem meu bem,
Feliz por ainda poder contar com os
amigos que continuaram meus amigos,
Feliz pelas minhas conquistas,
Feliz pelo que eu sou e pelo que vem
por aí.
No final das contas, o que importa é
que “se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi!” (E não foram
poucas).
Obrigado por continuarem visitando meu
blog nesses dois anos!!!!
Ah, a Lua continua linda e continua
passando de vez em quando por aqui .
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domingo, 26 de agosto de 2012
SORO
Dica muito legal do Vinicius Aguiar. Em 1979, quando era diretor do selo EPIC, Fagner idealizou um projeto que dificilmente seria "comprado" por qualquer gravadora. Soro era um disco simples, mas acompanhado por 37 lâminas contendo desenhos, poemas, artigos, fotos, uma grande salada artística de alta qualidade. As participações incluiam Ferreira Gullar, Fausto Nilo, Capinam, Alano, Abel Silva, Lena Trindade, Zé Pinto, Yeda Estergilda, Brandão, Ricardo Bezerra e muitos outros. O LP ainda se encontra, mas ele completo, com todas as lâminas é uma raridade.
Estrela Ferrada (Cirino) c/ Cirino
Quatro Prantos (Nonato Luiz) c/ NonatoLuiz
Canção de crioulos (Abel Silva) c/ Abel Silva
Choro Acadêmico (Nonato Luiz c/ Nonato Luiz
Primeiro anos (Ferreira Gullar c/ Ferreira Gullar
Aguapé (Belchior) c/ Belchior e Fagner
Vida Sertaneja (Patativa do Assaré) c/ Patativa do Assaré
Peteneras (Tradicional Flamenco) c/ Pedro Soler
Passarim de Assaré (Fagner/Fausto Nilo) c/ Fagner
To Bach and Powell (Geraldo Azevedo) c/ Geraldo Azevedo
Coração Condenado (Stélio Valle/Graco/Fausto Nilo) c/Fausto Nilo e Núbia Lafayette
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sexta-feira, 17 de agosto de 2012
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