sábado, 17 de setembro de 2016

Prince

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Ontem na mesa 8, tomando umas, um "baitinga" (pessoa sem futuro em cearês) disse que não sabia quem era o Prince! Pois bem, aí vai um pouco desse gênio numa apresentação memorável no Super Bowl XLI:


Prince Rogers Nelson (Minneapolis, 7 de junho de 1958 — Chanhassen, 21 de abril de 2016) foi um cantor, compositor, multi-instrumentista, produtor e dançarino norte-americano. Lançou mais de 35 discos em vida, e sua música mistura diversos gêneros como o funk, R&B, soul, jazz, rock, pop e hip hop.

Filho de pais músicos, Prince teve bastante contato com instrumentos desde pequeno. Já em seu primeiro disco, intitulado "For You", Prince tocou todos os instrumentos, bem como compôs a maioria das letras e produziu. Por não permitir que ninguém interferisse no seu processo criativo, Prince ganhou reputação de ser workaholic, ou seja; era obcecado pelo trabalho.

Seu álbum de maior sucesso foi Purple Rain, de 1984, que veio acompanhado de um filme de mesmo nome. Purple Rain vendeu mais de 30 milhões de cópias e ajudou a fermentar a influência de Prince na década de 80 como um dos maiores ícones da música pop norte-americana. Em meados dos ano 90 teve um período de baixa popularidade, devido principalmente as brigas com a Warner Bros., que era a gravadora do músico. Ele acreditava que a gravadora limitava seu trabalho artístico, e para fugir da Warner, acabou mudando o nome para um símbolo impronunciável.


Nos anos 2000, Prince voltou a ter popularidade principalmente a partir do disco Musicology, que ficou em primeiro lugar nas paradas em cinco países. A década também foi marcada pelas várias turnês multi-milionárias, e pela conversão do mesmo no grupo religioso Testemunhas de Jeová. Prince tinha o costume de convidar fãs para shows de graça em sua mansão, uma mistura de palácio e estúdio construída nos anos 80 onde o músico gravava a maior parte de seu trabalho.

Prince é considerado por muitos um dos maiores ícones pop de todos os tempos. Muitos críticos elogiam o seu trabalho pela versatilidade em compor, tocar, cantar e dançar, bem como suas performances vem sido descritas como algo extraordinário. Seu trabalho tem influenciado diversos músicos especialmente da black music norte-americana, como Bruno Mars e o The Weeknd. Prince vendeu mais de 100 milhões de álbuns e 60 milhões de singles. Ganhou sete Grammys, além de possuir dois álbuns no Grammy Hall Of Fame Award.

Em 2003, a Rolling Stone colocou Purple Rain em 72° em sua lista de 500 melhores álbuns de todos os tempos, sendo que a revista Time já o tinha classificado em 15°. Em 2008, Prince foi eleito o 30º maior cantor de todos os tempos pela famosa Revista Rolling Stone. Em 2012, Prince foi eleito o 28° maior artista de todos os tempos também pela Rolling Stone. E em 2011, a Rolling Stone ainda o colocaria em 33º em sua lista de melhores guitarristas.

A lista foi compilada a partir dos votos de vários outros guitarrisas famosos, como Tony Iommi, Eddie Van Halen e Brian May. Em 2004 Prince foi induzido no "Rock and Roll Hall of Fame", uma espécie de "museu da música" que perpetua os mais importantes nomes da indústria fonográfica que de alguma forma tiveram impacto na cultura norte-americana. Na ocasião, o músico fez um mesh-up de "The Glamorous Life", "Let's Go Crazy", ""Sign 'O' the Times," e finalizou com "Kiss". Mais cedo no mesmo dia, ainda na nomeação de George Harrison para o Hall of Fame, Prince tocou o solo de "Whyle My Guitar Gently Weeps", que lhe rendeu muitos elogios.

 Em 21 de Abril de 2016, Prince foi encontrado desacordado em sua mansão em Minneapolis. Uma ligação para o serviço de emergência foi feita às 9h43 da manhã, mas os atendentes médicos não puderam reavivá-lo e Prince foi declarado morto devido a uma acidental overdose de fentanil às 10h07. A morte do músico repercutiu sobretudo no meio artístico, com homenagens de diversos artistas como Elton John, Paul McCartney e Lenny Kravitz. Seu corpo foi cremado numa cerimônia para amigos mais íntimos e parentes, e sua fortuna, estimada em 300 milhões de dólares segue sem destino certo, já que Prince não tinha mulher ou filhos, bem como não deixou testamento.

Mas o legado ficou! Assim como uma playlist muito interessante com covers e colaborações sensacionais!


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Donny Hathaway: "Never My Love: The Anthology"

Donny Hathaway (Chicago, 1 de outubro de 1945 - Nova Iorque, 13 de janeiro de 1979) foi um cantor e compositor norte-americano de soul, gospel e jazz.

Tem como maiores sucessos as musicas, "A Song for You", "Jealous Guy", "For All We Know" e "The Closer I Get to You" Hathaway teve seu primeiro contrato profissional com a gravadora Atlantic Records em 1969, gravando seu primeiro single "The Guetto, Part I".

No inicio dos anos 70 era considerado uma nova sensação na soul music. Na sua curta carreira lançou quatro álbuns de estúdio, sendo o primeiro "Everthing is everthing" em 1970.

No ano de 1973 foi diagnosticado com esquizofrenia paranoica, sofrendo de fases de depressão desde os anos 60. Donny suicidou-se em 1979, perto do seu quarto de hotel, no Essex House Hotel em Nova York. Gravou com Roberta Flack a música "The Closer I Get to You".

Considerado um dos grandes nomes da soul music americana, foi homenageado com álbuns especiais após seu falecimento, sendo influencia artística e musical para as novas gerações. Num box incrível de quatro discos, "Never My Love: The Anthology" nos dá todos os elementos para caracterizarmos o Donny Hathaway como um dos maiores e melhores cantores que vieram ao mundo até os dias atuais.

A playlist de hoje mostra o início da sua carreira e também pistas de como seria sua carreira no futuro. Está tudo aqui.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Angela Bofill


Quebrando alguns anos de silêncio com uma das vozes mais lindas que eu conheço: Angela Bofill.

Ela foi a primeira latina a ter sucesso no mercado R&B americano chegando ao R&B Top 40. A carreira dela teve dois albuns realmente significativos mas foi interrompida por dois derrames que a deixaram impedida de cantar.

Mesmo assim duas músicas muito especiais (da minha playlist secreta) vão quebrar o silêncio aqui no blog hoje. Para quem está num clima mais animado de final de expediente, recomendo a versão dela para o clássico I Just Wanna Stop do Gino Vanelli:




Para os apaixonados de plantão fica essa música Linda!

sábado, 16 de março de 2013

O que rolou por aqui hoje: Músicas para um sábado nublado



A história da música: Super Homem (A Canção)



Por Gilberto Gil

"Eu estava de passagem pelo Rio, indo para os Estados Unidos fazer a excursão do lançamento do Nightingale - um disco gravado lá, com produção do Sérgio Mendes, em março e abril de 79, e gravar o disco Realce, ao final da excursão. 
Na ocasião eu estava morando na Bahia e não tinha casa no Rio, por isso estava hospedado na casa do Caetano. Como eu tinha que viajar logo cedo, na véspera da viagem eu me recolhi num quarto por volta de uma hora da manhã.
De repente eu ouvi uma zuada: era Caetano chegando da rua, falando muito, entusiasmado. Tinha assistido o filme Superhomem. Falava na sala com as pessoas, entre elas a Dedé [Dedé Veloso, mulher de Caetano na época]; eu fiquei curioso e me juntei ao grupo. Caetano estava empolgado com aquele momento lindo do filme, em que a namorada do Super-homem morre no acidente de trem e ele volta o movimento de rotação da Terra para poder voltar o tempo para salvar a namorada. 
Com aquela capacidade extraordinária do Caetano de narrar um filme com todos os detalhes, você vê melhor o filme ouvindo a narrativa dele do que vendo o filme... Então eu vi o filme. Conversa vai, conversa vem, fomos dormir.
Mas eu não dormi. Estava impregnado da imagem do Superhomem fazendo a Terra voltar por causa da mulher. Com essa idéia fixa na cabeça, levantei, acendi a luz, peguei o violão, o caderno, e comecei. Uma hora depois a canção estava lá, completa. 
No dia seguinte mostrei ao Caetano; ele ficou contente: 'Que linda!' E eu viajei para os Estados Unidos. Fiz a excursão toda e, só quando cheguei a Los Angeles, um mês e tanto depois, para gravar o disco, foi que eu vi o filme. 
Durante a gravação, uma amiga americana, Olenka Wallac, que morava em Los Angeles na ocasião, me levou para ver. A canção foi feita portanto com base na narrativa do Caetano. Como era Superhomem - O Filme, ficou Superhomem - a Canção; não tinha certeza se ia manter esse título ao publicá-la, mas mantive.
Como Retiros Espirituais, Superhomem - a Canção é uma das poucas que eu fiz assim: música e letra ao mesmo tempo. É uma canção a serviço de uma letra, atrás de um sopro da poesia, mas com os versos também se submetendo a uma necessidade de respiração da canção. Há momentos em que a extensão do verso determina o estender-se da frase musical. Em outros, para se dar determinadas pausas e realizar o conceito de simetria e elegância, a extensão da frase poética se adequa à do fraseado melódico."Assim, depois de 'Um dia', há o corte e, lá adiante, 'Que nada', depois 'Quem dera' e depois 'Quem sabe' já surgem condicionados pelo 'Um dia' do início. A frase musical de 'Um dia' condicionou a extensão, o corte e a escolha dessas interjeições - 'Que nada', 'Quem dera' e 'Quem sabe'. (Mesmo no primeiro caso - 'Um dia' -, também se reinvindica ali um sentido de interjeição; embora na construção da frase, do ponto de vista gramatical, possa não ser considerado assim, do ponto de vista do canto, é.)
A música tem uma cadência descansada, escorrida, e umas quebras interessantes. A melodia muda, a métrica é regular (as notas se alteram, mas os tempos são iguais). Você tem quatro estrofes com versos de 2, 14, 12 e 6 sílabas cada - assimétricas na distribuição interna, mas simétricas nas configurações finais. [A estrofe de abertura é ligeiramente diferente: o terceiro verso também apresenta 14 sílabas poéticas].
Depois de fazer a primeira estrofe, eu decidi que aquilo seria um módulo que eu iria manter. Isso facilitou para que eu a fizesse rápido; nascida aquela célula, ela se reproduziu em mais três iguais. Dobrei o caderno, deixei o violão e fui dormir. 
Quando acordei pela manhã, a primeira coisa que fiz foi tocar, cantar e ver que a canção estava fixada. Se eu estivesse com um gravador, eu a teria gravado antes de dormir, para me assegurar (eu faço isso sempre hoje em dia, porque tenho cada vez menos memória). 
Como eu não estava, é provável que eu tenha usado algum recurso mnemônico, como fixar o número de notas ou sílabas das primeiras frases, ou então as cifras.
Muita gente confundia essa música como apologia ao homossexualismo, e ela é o contrário. O que ela tem, de certa forma, é sem dúvida uma insinuação de androginia, um tema que me interessava muito na ocasião - me interessava revelar esse embricamento entre homem e mulher, o feminino como complementação do masculino e vice-versa, masculino e feminino como duas qualidades essenciais ao ser humano. Eu tinha feito Pai e Mãe antes, já abordara a questão, mais explicitamente da posição de ver o filho como o resultado do pai e da mãe. Em Superhomem - a Canção, a idéia central é de que pai é mãe, ou seja, todo homem é mulher (e toda mulher é homem).